quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O Ta´wîl - Henry Corbin


«[O ta´wîl] é, essencialmente, compreensão simbólica, transmutação de todo o visível em símbolos, intuição de uma essência ou de uma pessoa numa Imagem que não é, nem o universal lógico, nem a espécie sensível, e que é insubstituível para significar o que há a significar. (...) Temos de voltar aqui à distinção, para nós fundamental, entre a alegoria e símbolo: a primeira é uma operação racional, não implicando passagem nem a um novo plano do ser nem a uma nova profundidade de consciência; é a figuração, a um mesmo nível de consciência, do que pode ser já perfeitamente conhecido, de uma outra maneira. O símbolo anuncia um outro plano de consciência, diverso da evidência racional; é a "cifra" dum mistério, o único meio de dizer o que não pode ser dito, nem apreendido de outra maneira; nunca "explicado", de uma vez por todas mas, pelo contrário, está sempre por decifrar de novo, tal como uma partitura musical, jamais decifrada, uma vez por todas, mas sempre solicitando uma execução renovada (...) Por essência, o ta´wîl não pode cair no domínio das evidências comuns; postula um esoterismo.»

Henry Corbin

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